terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Poesia do meu grande menino...meu pai!

Comédia humana
que se repete em tempos
no atravessar de sonhos
e rarear de espantos.
A vida que se repete
no cotidiano impar
da sobrevivência insana
na busca do renascer
de passados que já não voltam.
E entre translúcidas lágrimas
luzes de um porvir incerto
veem-se multicores esperanças
qual prisma da alma
em caleidoscópio instável
a balançar sentimentos
entre a razão real
e toda paixão perdida.
Perdida em labirintos
em teias de sentimentos
que se confundem no tempo
daquele que vivo agora
e de um outro que talvez eu não veja chegar.

17/12/09
Jorgé Mártires

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Além...

Quero o azedo do suor do Marquês.
Quero sangue da mordida do vampiro.
Quero frio das algemas do bandido.
Quero terror dos atormentados.
O torpor dos sem sentido.
Quero sal na ferida,
A vela apagada do escuro da noite,
Quero ser o caos
E quero sempre mais.
Quero subir o último lance de escada.
Quero olhar no buraco da fechadura.
Quero ver além da minha insensatez.
Quero quebrar o último copo de vidro.
Quero abrir a janela,
Deixar o vento entrar.
Quero suar.
Quero o pôr-do-sol
E o nascer também.
Quero ser o estampido a ensurdecer o teu ouvido,
E quero mais, muito mais.
Quero ir além, quero ser a tua paz, quando depois de tudo isso.
Olhares pra mim e me reconheceres em ti.