quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Um desabafo antigo...

Preciso vomitar a ansiedade que me corrói.
Que país é esse que não te deixa trabalhar?
Que estado é esse que não te deixa pensar?
Pra onde vamos?
Precisamos ir pra bem longe para podermos crescer.
Não quero mais ser filho desse pai que herdou da ditadura regras paternalistas.
Decidindo que horas chego em casa e pra onde levo meus filhos,
e não me dá pão.
Abstenho-me dele para sempre.
Que pai é esse que me enche de regras e não me dá nenhum direito?
Que não me deixa crescer,
Pois sabe que quando eu andar com minhas próprias pernas,
Vou pra bem longe dele
E de lá nem saudade vou ter
Do tempo em que ele não me deixava ser nada,
Apenas um moleque sujo, sem roupa e sem alento.
Governantes ...!
Que se explodam na miséria que vocês cavaram pros outros!
E que levem junto sua ignorância,
Que faz a raça humana ser cada vez mais desprezível.
Nenhuma falta vão fazer, nem para os parentes,
Pois o sangue que derramam nada tem a ver com guerras declaradas,
São guerras frias travadas com idosos, crianças, doentes...
Destruindo qualquer tentativa de crescimento que possamos vir a ter.
Destruindo vidas...
Sentados nos seus sofás de couro,
Rindo e bebendo...
Sem ter consciência do inferno que os espera.
Se tiver algo após essa vida
Eles queimarão por mil anos
E não pagaram seus pecados.
Pois não passam de vermes que se alimentam da ferida dos outros.


Roberta Mártires.
29/08/09

Loucura.

Quero a farsa de fingir que não entendo.
Quero o desapego de não saber quem sou.
Pelo menos uma vez,
quero me esquecer de princípios,
de virtudes e do que espero de mim.
Cansei,
Não preciso mais tentar entender o que se passa na minha cabeça,
Nem na cabeça dos outros.
Quero desligar meu cérebro,
e voar...
Perder-me nos teus braços,
sem pensar em nada,
Sem querer ser sempre o centro das minhas atenções.
Quero me purificar de mim mesma.
Apenas ser.
Sem saber o que vão pensar.
O que esperam de mim.
Juro que dessa vez não vou analisar...
Nem quero.
Vou apenas sentir.
E assim vou sonhando,
em um dia te ter, pra me mostrar teu mundo,
tuas cores que não entendo.
Mas juro,
Na hora que me notares,
vou pintar com as minhas cores teu corpo.
Um índio pronto pra guerra.
E se depois disso quiseres ir embora,
vou deixar.
Minha arrogância vai achar que você não valia a pena.
Sou índia, sou mulher.
Sou arrogante, sou o pior dos teus pesadelos.
Sou o amor e ódio.
Sou eu.